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Tuesday, February 13, 2007
"Às vezes dói como um parto, essa coisa de vibrar pelo avesso, isso de reinventar-se de pé. Rastejo, essa é que é a verdade, pequena e triste, como só podem ser miseravelmente pequenas e miseravelmente tristes as sombras derruídas dos insetos, pelas paredes, pelos meios-fios, pelas calçadas, pelos tampos de móveis cheios de poeira e passado. Rastejo, ainda que disfarçada sobre minhas patas, levando em mim uma inexplicável vergonha da crença, da fé, da desmesura, da entrega inteira, uma imensa vergonha de ainda, de apesar de, de a despeito de, te esperar com meus olhos cheios de sonhos nas mãos."
(Ticcia)
- Nas minhas andanças internáuticas achei essa pérola. Vale a visita! Link para o blog dela aqui.
Posted at 10:59 am by Marie P.
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Monday, February 12, 2007
Alguém pode me explicar a diferença entre Estupidez, Teimosia, Esperança e Fé? Não estou conseguindo diferenciar... (!!)
Posted at 02:44 pm by Marie P.
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“... nem que seja por obra do acaso, ou seu parente mais elegante, o destino.”
A Sombra do Vento Carlos Ruiz Záfon
Posted at 02:42 pm by Marie P.
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me, myself and someone else

“Dona desses traiçoeiros Sonhos, sempre verdadeiros Oh Dona desses animais Dona de seus ideais Pelas ruas onde andas Onde mandas todos nós Somos sempre mensageiros Esperando tua voz Teus desejos, uma ordem Nada é nunca, nunca é não Por que tens essa certeza Dentro do teu coração Tan, tan, tan, batem na porta Não precisa ver quem é Pra sentir a impaciência Do teu pulso de mulher Um olhar me atira à cama Um beijo me faz amar Não levanto, não me escondo Porque sei que és minha Dona... Dona desses traiçoeiros... Sonhos sempre verdadeiros... Oh Dona desses animais Dona de seus ideais Não há pedra em teu caminho Não há ondas no teu mar Não há vento ou tempestade Que te impeçam de voar Entre a cobra e o passarinho Entre a pomba e o gavião Ou teu ódio ou teu carinho Nos carregam pela mão É a moça da cantiga A mulher da criação Umas vezes nossa amiga Outras nossa perdição O poder que nos levanta E a força que nos faz cair Qual de nós ainda não sabe Que isso tudo te faz Dona, Dona...”
Dona Roupa Nova
Posted at 02:30 pm by Marie P.
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“Vale tentar viver tudo de mais Você me faz descobrir O dom de iluminar Tudo o que for sentir deve durar De tanto a luz, explodir Aprender, conhecer, revelar
Sim, princesa Sou quem vai chegar Na chuva da montanha Vem se molhar Sempre, pra sempre Sou do seu querer Estrela cintilante Vem me valer
Vale dizer que sim vale chorar De tanto o som, expandir Descobrir, conhecer, revelar
Sim, princesa Sou quem vem pedir Me faz arder em brasa Vem e me ascende Chama, me chama Sou o seu querer Estrela cintilante Vem me valer”
Princesa
Flavio Venturini
(*) pintura de Chaggal
Posted at 11:14 am by Marie P.
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Thursday, February 08, 2007
Para Clarinha e seu sonho:
Essa é uma das músicas que mais amo no mundo. Cantarolo a anos, aguardando o dia que ela será real. Sei que ainda vou viver essa música. Sei que vou.
Mas enquanto isso não acontece, vejo uma pessoinha que mora no meu coração, uma amiga querida, minha irmã rodriguiana, vivendo exatamente isso. E fico numa felicidade de dar gosto! E super orgulhosa – viver uma história de amor requer muita coragem! Como sei disso... nossa como sei...
Quando vejo um amigo realizando um sonho e como se fosse meu esse sonho... a felicidade vem igual. Por isso, e por tudo que vivemos juntas, meu primeiro presente para a casinha é te emprestar a trilha sonora do meu sonho... e sei que você me conhece o suficiente para saber o valor desse presente...
Tá, é só uma forma de dizer que meu olhinhos fizeram cachoeirinha com seu mail de ontem. Só para te dar uma vaga noção da felicidade que estou sentindo por ti, como se você não conhecesse essa sua canceriana...
Enfim, segue o presente, acompanhada de uma linda flor!
Ah! Vem visitar a gente logo, vai... Tô roxa de saudade e o camarão e a lagosta daqui a pouco estão podres!!!

"A primeira vista A paixão não tem defesa Tem de ser um grande artista Pra querer se segurar Faz tremer a perna Faz a bela virar fera Quando alguém que a gente espera Quer se chegar
Só de pensar Já me faz mais feliz Nem bem o amor começa Eu já quero bis Chega e instala a beleza No mesmo momento. . .
Ilusão tão boa Quanto o astral de uma pessoa Chega junto, roça a pele E já quer se enroscar Lê seu pensamento Paralisa seu momento Ao se encostar
Sonho real faz surpresa pra mim e trança o meu destino com alguém assim Chega e instala a beleza No mesmo momento...
Felicidade pode estar pelo sim Às vezes do seu lado Tem alguém a fim Chega e instala a beleza Momento de sonho real
Vem andar comigo Numa beira de estrada Desse lado ensolarado Que eu achei pra caminhar Vem meu anjo torto Abusar do meu conforto Ser meu bem em cada porto Que eu ancorar
Sonho real faz surpresa pra mim e trança o meu destino com alguém assim Chega e instala a beleza Momento de sonho real"
Sonho Real
Lô Borges
Posted at 11:32 am by Marie P.
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Wednesday, February 07, 2007
Momento Meu Querido Diário
"(...)
Companheira de vida e de sonhos
Talvez tenhamos sonhado demais
E esquecido de cuidar da vida real
Talvez tenhamos esquecido
Nossos maiores valores
Minha liberdade, sua independência
Pode ser que o problema tenha sido as nossas diferenças
Eu não conheço a palavra "nosso"
E você, esqueceu o que é "confiança"
(...)"
Ex marido.
Tem gente que estranha quando o chamo assim... não casei na igreja de papel passado nem tinha a ilusão que era para sempre. Mas no tempo do fim da relação percebi que sim, tínhamos sido marido e mulher. Dividimos o espaço de um quarto, sala e varanda, dividimos contas, quadros e a cozinha para fazer o macarrão do final de semana. Dividimos a dúvida se a grana de hoje dá para uma pizza da Domino's, ou se teremos que encarar a do bar da esquina. Dividimos as angústias profissionais, as agruras familiares e o choro, que apesar de ser troço íntimo pra burro, na mesma casa não dá para fugir...
No tempo do fim, senti falta dele, do cotidiano, do nosso lar. Das caminhadas pela feira na manhã de sábado para comprar flores e verdes. Do almoço dividido na Adega da Velha, do cinema mais tarde com ele (sempre) vindo me trazer o pastel de belém que tanto amo. Sem deixar de considerar as idas à Prefácio, no pós filme, para beber café e cerveja... E de chegar tarde do trabalho e encontrá-lo, no meio da fumaça e do pacote de cheetos, jogando CS...
O prosaico de nós dois, o dividir o banheiro na hora de se arrumar, o pedir o perfume emprestado, o fazer mercado e açougue e vê-lo rindo do meu nojo de carne crua, dos meus ataques, das minhas roupas ripongas e do meu umbigo... de niná-lo todo dia cantando "debaixo d'água" e de cantarmos juntos aos berros a música nova do Roupa Nova... Dia a dia, vida simples, cotidiano... o brigar e ter que dormir na mesma cama... a mágoa de vê-lo indo dormir no sofá, o acordar brigando, tentando se entender e a dor que tem que passar antes da hora do jantar.
Viver junto – por isso "ex marido", pois só com ele vivi isso. Sempre tive a minha casa para correr quando tudo nublava, quando se vive junto a casa é a mesma... não tem para onde correr... Não se bate porta, tem que se abrir e olhar no olho, não se entra no banheiro para chorar, se chora na frente pois o choro vem antes da pose.
Ontem depois de mais de um ano de separada e sem vê-lo, nos encontramos. Vi meu ex marido com a mesma cara de criança perdida que tinha quando vivemos juntos. Com a mesma honestidade de gestos e sentimentos. Com o mesmo olho sincero que se emociona por nada – nem que o nada seja o fim da minha raiva, o fim da minha frieza, o meu afeto sincero.
Ciclo que se encerra.
O encontro foi rápido, ou melhor, a pressa de ambos fez com que ele tivesse o tempo suficiente – tempo de se reconhecer no carinho – e a música abaixo é a que mais retrata isso – o rever depois do fim, o desejar o bem, o carinho que perdura pela boniteza do vivido.
Ex marido: agora sei o quanto te quero bem e o quanto quero que sejas muito feliz. Assim como sei que não vai gostar de saber que te chamo assim – mas não existiria forma mais carinhosa e óbvia de te batizar na minha história: meu primeiro marido.
"Olá, como vai? Eu vou indo e você, tudo bem? Tudo bem eu vou indo correndo Pegar um lugar no futuro, e você? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranqüilo, quem sabe? Quanto tempo... pois é... Quanto tempo... Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios Oh! Não tem de quê Eu também só ando a cem Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí Pra semana, prometo talvez nos vejamos Quem sabe? Quanto tempo... pois é... Quanto tempo...
Tanta coisa eu tinha a dizer Mas eu sumi na poeira das ruas Eu também tenho algo a dizer Mas me foge a lembrança Por favor, telefone, eu preciso Beber alguma coisa, rapidamente Pra semana O sinal... Eu procuro você Vai abrir... Prometo, não esqueço Por favor, não esqueça, por favor Adeus... Não esqueço Adeus... Adeus..."
SINAL FECHADO Paulinho da Viola
Posted at 03:50 pm by Marie P.
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Tuesday, February 06, 2007
chega de filosofia! é mais simples...
"Vem, Eu guardei o meu tempo de vida pra mais ninguém Seja fogo de palha ou seja amor Seja do jeito que for só de pensar em você já me faz tanto bem"
Posted at 04:29 pm by Marie P.
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Monday, February 05, 2007
música incidental: "juro beijar teu corpo sem descanso, como quem sai sem rumo prá viagem, vou te cruzar sem mapa nem bagagem, quero inventar a estrada enquanto avanço..."

"Desculpa, mas se eu não te tocar agora vou perder toda a naturalidade.
Não tenho culpa estou me sentindo sem controle...
É só essa vontade quase simples de estender o braço e tocar vc.
Faz tempo demais que estamos aqui parados conversando. E já dissemos tudo o que podia ser dito entre duas pessoas que estão tentando se conhecer
Então, não diz nada, você não diz nada. Apenas olha pra mim, sorri.
Quanto tempo dura? Faz pouco despencou uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi para saber tocá-la. Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que um dia, mais tarde, depois daqui, poderá me dizer: não. Há uma espécie de heroísmo então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. Toco. Perto a minha boca se entreabre lenta, úmida, cigarro, chiclete, conhaque, vermelha, os dentes se chocam, leve ruído, as línguas se misturam. Naufrago em tua boca, esqueço. Mastigo tua saliva, afundo. Escuridão e umidade, calor rijo meu corpo contra a sua coxa, calor úmido do seu corpo contra a minha coxa. Amanhã não sei, não sabemos (...)"
Ovelhas Negras
Caio Fernando Abreu
+ pintura: Lovers in the moonlight de Chagall
Posted at 02:48 pm by Marie P.
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Friday, February 02, 2007

“Como você sabe, dirás feito um cego tateando, e dizer assim, supondo um conhecimento, faria quem sabe o coração do outro adoçar um pouco até prosseguires, mas sem planejar, embora planejes há tanto tempo, farás coisas como acender o abajur do canto depois de apagar a luz mais forte, criando um clima assim mais íntimo, mais acolhedor, que não haja tensão alguma no ar, mesmo que previamente saibas do inevitável das palmas molhadas de tuas mãos, do excesso de cigarros e qualquer coisa como um leve tremor que, esperas, não transparecerá em tua voz. Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, sim você sabe, a gente, as pessoas, infelizmente têm, temos, essa coisa, emoções, mas te deténs, infelizmente? O outro talvez perguntaria por que infelizmente? Então dirás rápido, para não desviar-te demasiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas as pessoas, têm, temos - emoções. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por detrás do que falam há o que sentem, e por detrás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra...”
Morangos Mofados
Caio Fernando Abreu
Posted at 03:21 pm by Marie P.
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