“Eu sempre quis ser princesa, mas não de conto de fadas
Mulher com garras de fera
queria ser musa das madrugadas
dura na queda
doce na boca
gozo no escuro
escada que só sobe
porta sempre aberta pra quem soubesse entrar.
Queria ser puta e menina
ter colo e carinho e tapa e gemido
gritar meu prazer e meu amor pelas ruas do Rio
O homem que me ganhou soube tudo direitinho.
Trouxe a palavra certa
chave exata pra minha fechadura difícil
e teve o desconcerto e a timidez
e me teve de uma vez, sem lógica nem volta.
Esse homem que é meu me devora a cada dia
com delícia de lamber os beiços
no durante e no depois
Meu gosto, que agora é dele, fica grudado na boca.
Esse meu vagabundo,
poeta romântico dos tempos de agora,
fez de mim mais que princesa
e do nosso romance mais que ficção:
fez de mim sua mulher e poeta
fez da gente um casal
e me salvou do naufrágio
e me engoliu feito pílula
e agora viajamos juntos,
grávidos um na barriga do outro,
tudo em nós sendo gerado,
um mundo real e encantado
que a gente está criando pra viver.”
Maria Resende